Impressões de viagem
IMPRESSÕES DE VIAGEM
É bom viajar quando se pode fazê-lo com olhos e mentes abertos. Um mundo novo se descortina a cada momento relativamente às coisas dentro de si próprio abrindo-se condições para conhecer-se através dos outros e das coisas que vê. Mesmo que, muitas vezes, sente-se mergulhado numa espécie de solidão coletiva.
Ver em outras terras um galho de árvore obstruindo o caminho por onde passam diariamente centenas de pessoas e ver que nenhuma folha é amassada ou molestada pelos que por ali passam... é mais que uma aula de ecologia: é uma demonstração de respeito a natureza e talvez a tuddo aquilo que tem vida. Entende-se quando se diz que esse povo que não molesta a folha tem como filosofia trabalhar com a natureza e não "explorar" a natureza. Vi isso e outras coisas simples. Ouvi -ouvimos- um galo cantando próximo a um parque. Quase emocionado, meu colega de caminhada, homem de cultura, homem de que conhece várias terras, comentou: "Está aí um grande exemplo do que é manifestação cultural". O galo daqui canta exatamente como o galo de lá (estávamos em outro lugar com 12 horas de fuso horário), fala a mesma linguagem em qualquer parte onde quer que ele viva seguindo a mesma lei natural. De lá, voando em direção a qualquer agrupamento humano, não mais de uma hora de vôo, poderemos encontrar grupos falando diferentes línguas com diferentes hábitos de comer, vestir, amar e rezar, disse meu amigo.
Apesar disso o mundo com suas diferenças está cada vez mais próximo mesmo mesclando alguma coisa em áreas que se tocam. Hoje as distâncias ficam reduzidas com as comunicações mais presentes pelo sinal de televisão chegando à sua casa com os sinais refletidos pelos satélites que circulam pelos ares da Terra. As distâncias, fixadas em milhas ou quilômetros, tem sensação de terem encolhido quando se medem em horas de barco, em horas de trem, de avião supersônico podendo chegar um lugar antes mesmo de ter saído.
Mesmo assim, com essas aproximações, misturando várias culturas, a sintonização com as mentes privilegiadas em cada campo do conhecimento dentro de sua linguagem hermética -mesmo que universal- entre os "iniciados" naquele campo. Depois, a barreira do idioma em que cada um viveu. Segue as barreiras culturais complexas que vão desde o relacionamento na mesa, na família, no trabalho, no lazer, no...
Alguém já imaginou como seria viver num mundo uniformizado, de linguagem única, comida padronizada, roupas iguais, mesmos costumes... seguindo padrões econômicos idênticos? Seria de uma monotonia infernal! Deixemos o mundo com suas diferenças! É mais bonito.
Imagine encontrar em todas as partes do mundo os "Bob's", os "Mac Donalds". Já irrita um pouco tomar coca cola em qualquer quadrante. Já perde a graça as "padronizações" as "otimizações"... Deixe o mundo como está. As culturas diversas dos vários lugares do mundo têm muito a ensinar umas as outras. Será que não dá para aprender com os outros sem modificar aquilo que é bom e essencial, que tem cada grupo cultural?
Hamilton Savi
Brasília, 04 de outubro de 1987


1 Comments:
Lindo ...
Postar um comentário
<< Home