Aqui é um lugar neutro. Serão discutidos temas como: política, maçonaria, vida, viagens, fotografia, e outros assuntos que poderão vir...Seja bem vindo!
O Monte Moriá tem grande importância na história religiosa e simbólica do judaísmo, cristianismo, islamismo e da Maçonaria. Lá, foi construído, em cooperação internacional com o rei de Tiro, o Templo de Salomão. O templo havia sido idealizado por David, rei de Israel, mas só foi construído por Salomão, seu filho e sucessor. A história e lenda do Templo de Salomão e do Monte Moriá mistura-se com lendas místicas da Ordem dos Templários, com a história do povo judeu, com cultos pagãos e, mais tarde, também com o islamismo. Hoje, a cúpula dourada da Mesquita Azul, no alto do monte, é visível de qualquer parte de Jerusalém e é o principal cartão-postal da cidade: uma cúpula imponente que reflete a luz solar. É a marca do islamismo em Jerusalém. Ao tempo de Salomão, o templo deveria ser também a construção mais visível de Jerusalém como o é, hoje, a cúpula dourada da Mesquita Azul. No Monte Moriá foi também construída a mesquita El-Aksa ou Mesquita Distante. Fica à direita de quem sobe o monte, entrando pelo Portão do Lixo, deixando à esquerda o Muro das Lamentações. A Mesquita Distante foi construída entre 709 e 715 pelo filho do construtor da Mesquita Azul. Pouco resta da construção original já que ela foi reconstruída várias vezes. Foi usada pelos Cruzados no século XI e, mais tarde, foi o quartel general dos Templários. Estudos indicam que nesse local, provavelmente, estava localizado o Templo de Salomão. Na Mesquita Distante não é permitida a entrada de visitantes. Do seu portão principal se tem a melhor vista da Mesquita Azul. Pedi e me foi concedida autorização para, da porta da mesquita, fotografar a sua vizinha gigante Mesquita Azul. Um dos guardas, que não ouviu a autorização dada pelo seu colega, começou a gritar comigo. Ele imaginou que eu estivesse desrespeitando a ordem e filmando a mesquita, o que é proibido. Quando os dois se comunicaram, continuei o meu trabalho, filmei tranqüilo e saí. O eco da discussão entre eles ficou ainda por alguns instantes. A Mesquita Azul, daquele ângulo, é simplesmente majestosa! A beleza, os lustres, os tapetes, a pedra sagrada estão lá, independente do desentendimento entre árabes e judeus, desafiando o tempo como nas construções judaico-cristãs.
Oito horas da manhã de segunda feira, dia 25 de junho de 1982. Aguardo dona Isaura, nossa empregada, que virá cuidar da casa no final de semana. Devo viajar a São Paulo, com o Reitor, para participar da reunião do Conselho de Reitores das universidades brasileiras, CRUB.
Ontem estive em Blumenau. Nana ficou lá, com os pais, descansando alguns dias. Pela manhã, Didio, Elisete, Claudete -uma amiga de Lisete- e eu fomos fazer uma rápida visita algumas áreas que foram atingidas pelas cheias desse ano. Há, em Blumenau, uma tradição em conviver com cheias que ocorrem, em média, de 4 em quatro anos. A cheia deste ano ultrapassou em muito essa média, que é de uma cheia cujo nível das águas chegam ao 12 metros acima do nível médio do rio. Até o nível das cheias de estatística eles tiram de letra. Mas, essa que chegou a 16,5 metros acima do nível médio do rio Itajaí Açu, deu um desespero geral na população, em especial a chamada classe menos favorecida.
Lama nas ruas, máquinas tirando barro nas ruas, lama nos telhados de muitas casas, árvores arrancadas com as raízes expostas, lodo e mais lodo em todos os cantos. Mas, de todo esse quadro, o que marcou muito foi a tristeza estampada no rosto das pessoas que perderam tudo, ficando, apenas, com a roupa do corpo e a força na alma. A expressão das pessoas, no meio dos destroços era muito triste.
Perguntamos a um morador, no bairro de Fortaleza, se ele tinha recebido apoio do governo e ele respondeu com uma expressão de tristeza e melancolia:
-"Aqui non. Só recebeu aquele qui tivero tempo de ficá na fila. Só ganha aquele que não pricisa".
-Porque só aquele? Perguntou alguém.
-Aquele alí, -disse apontando para um grupo de casas, numa área alta, que não foram atingidas- "podia fica na fila porque a casa dele tava seca".
-E o que é que ganharam?
-Não sei onde consegue tanto alimento. Tem gente daquela que traz até TV. "Nois aqui temo que ficá cuidando da casa senão eles "roba" o resto que a água non estragô". Mas aqui mesmo -continuou- inté agora non pareceu ninguém".
Um outro morador, também do mesmo bairro, apoiado à janela, com ar triste, teve sua casa totalmente arrasada. As telhas da casa já haviam sido recolocadas, as paredes da casa ainda estavam molhadas, mas já estavam limpas.
-E aí –perguntei- apareceu alguém para dar apoio, senhor?
-Aqui -respondeu sem mudar de posição- aqui não apareceu ninguém.
De fato, apresentou as mesmas queixas que o anterior. Depois de algum tempo, após ter feito mais alguns desabafos, olhando para um armário de parede com duas portas, disse:
-Olha aí -disse apontando para a peça cheia de lama- agora que eu terminei de “pagá”, olha como “ficô”!
Na casa ao lado, alguém tentava limpar, com uma mangueira d’água, a geladeira que havia sido arrastada para fora da casa. O sofá estava irrecuperável. O fusca, de 4 anos de idade, estava também‚ cheio de barro. Alguma coisa ele ia aproveitar.
A casa de Chavinha -tia de Eliana- ficou totalmente irrecuperável. Não sobrou nada! Ela não estava no seguro e já estava paga. Parecia uma casa de brinquedo que uma criança tinha jogado no meio da lama e esquecido de lavar o brinquedo.
Não falei com nenhum industrial, mas posso imaginar como a classe se sentiu ao ver o estado em que ficaram as suas fábricas. Ouvi boatos de que algumas empresas irão se instalar em locais mais seguros ou despedirem empregadas e abandonar as atividades na região.
Se não forem liberados os recursos prometidos, do chamado Projeto Reconstrução, vai ser difícil, muito difícil! Esse povo tem garra, mas não são poetas e nem tem tendências para serrem mártires. Muitas dessas indústrias nasceram em fundos de quintal, e levaram anos, muitos anos, para atingir o estágio em que estava antes das cheias. Em situação normal já não estavam num mar de rosas e imagine agora tudo tendo sido levado pelas águas!
Quanto às obras publicas, os estragos foram enormes! No meu entendimento, há castigo por burrice na execução e planejamento dos equipamentos públicos. Não se pode admitir que:
-O Corpo de Bombeiros fique ilhado quando as águas atingem a quota de 11 metros, se todos sabem que de 4 em 4 anos há uma cheia que pode chegar a 12 metros!
-O batalhão do exército transforma seus homens em flagelados porque os meninos não recebem treinamento em natação.
-Os tetos dos prédios mais modernos, não têm heliportos.
-A prefeitura, um belíssimo e novo prédio, não tem um lote de barcos;
-Que de dois em dois anos troca o comando da Polícia Militar. Dessa forma, em cada enchente, há sempre um novo e inexperiente comandante!
O pessoal -principalmente a burocracia- não aprende as lições. Nem o governo tem levado a sério as obras de contenção, como a barragem do Itajaí-Açú. Os projetos ficam nas gavetas e, cada um que entra, coloca mais alguns papeis por cima!
Contam que a última cheia de 16 metros ocorreu em 1911. Sabe-se que as "normais" atingem periodicamente 12 metros. Mesmo assim, o desespero de TODOS diante da catástrofe, foi inadmissível. Não se fala em evitar -apesar das asneiras que dizem por aí- mas, no mínimo, tem um pouco mais de preparo!
A Defesa Civil, pelo que aprendi nesses dias de catástrofe, é conduzida por um bando de pessoas despreparadas, com boa intenção para fazer as coisas e com muita competência para dar recados na televisão.