Blog do Savi

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Professor aposentado, com tempo disponível para continuar lendo o que não conseguiu ler na juventude.

agosto 26, 2009

Vargas, 55 anos deepois...

Naquele dia, 24 de Agosto de 1954, pelo resto da manhã, pouco se trabalhou nas oficinas e escritórios da CSN, em Siderópolis, SC. Retornei, com a equipe de manutenção, à Oficina onde as maiorias dos funcionários daquele setor aguardavam estupefatas, por mais noticias. Getúlio Vargas se suicidara na madrugada anterior e o Deus, o criador da Companhia, “saia da vida para entrar na história” como dizia trechos de sua “carta testamento”. Boatos surgiam aos montes cada um deles dando a entender que sabia de mais coisas ou que tinha ouvido mais. Os funcionários mais esclarecidos, mais próximos à fonte de informação ou das fontes, repercutiam conversas que tinham ouvido dos funcionários mais graduados do grupo superior da administração. As rádios emissoras do Rio e de São Paulo repetiam o texto da carta e comentavam o currículo do presidente e o quadro político daquele momento. A notícia sobre a morte somente saiu na manhã do dia 25 de agosto e no Rio de Janeiro a televisão mostrou, no final da tarde para um privilegiado grupo de pessoas assinantes de televisão no Rio de Janeiro.
Vargas foi o presidente que mais tempo permaneceu no poder no Brasil. Ele comandou em dois períodos de governo (30/45 e 51/54). Para quem trabalhava na empresa que ele criara e dentro da ótica nacionalista que sempre foi sua marca, esse título pesava muito.
Getúlio Vargas teve uma vida inteiramente ligada ao país. Mesmo como ditador, manteve elevada popularidade. Nasceu em São Borja em 1883 e foi presidente em 1930, depois de ter comandado uma revolução que culminou com a queda de Whashigton Luiz. Em 1937 fecha o Congresso, e inicia como ditador, no chamado Estado Novo. Foi deposto em 1945 depois de algumas confusões nacionais. Volta, pelo voto, à presidência da República em 1951 através do voto popular. Nessa época cultivou alguns inimigos poderosos entre eles Ademar de Barros e Carlos Lacerda. A situação política em 1954 estava tão difícil que o presidente decidiu acabar com a sua vida. Pelo menos foi a versão oficial. Gregório Fortunato, seu guarda costas, querendo aliviar as pressões sobre seu chefe e amigo tentou assassinar um de seus seu inimigo acabou atingindo e matando o Major Vaz. Esse fato levou Lacerda, com um jornal em suas mãos, a descarregar toda a sua fúria contra o presidente. A pressão foi tanta que o presidente não resistiu e resolveu por fim a sua vida. Obviamente, o caso é muito mais complexo!
Getulio cursou a Escola de Geologia de Ouro Preto e mais tarde faz o curso de direito onde conhece Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra que estavam em Porto Alegre estudando a vida de Julio de Castilhos, um dos grandes positivistas gaúchos da época.
Getulio teve uma carreira densa. Como advogado, em 1907 torna-se Promotor Público. Em 1907 elege-se Deputado Estadual e é reeleito em 1913, mas renunciou por não concordar com Borges de Medeiros. Volta a Assembléia Legislativa em 1917 e foi reeleito em 1921 e dois anos mais tarde é eleito Deputado Federal e no ano seguinte, -1924- torna-se líder da bancada gaúcha na Câmara Federal. Getulio foi Ministro da Fazenda do governo Whashigton Luiz eleito em 1926 e que foi deposto pelo mesmo Getúlio na Revolução 30 por ele liderada. Em 1928, é eleito governador do Rio Grande do Sul e toma posse. Em 1929, o mundo econômico sofre uma de suas maiores crises com a queda da Bolsa de Nova Iorque. O Brasil, nessa época tinha um único produto de exportação: o café, um produto que era sobremesa como comentam os críticos da época.
Getulio foi uma das principais figuras da revolução de 1930 que teve origem na reação à vitória fraudulenta dada a Julio Prestes. Dado ao seu papel nessa revolução lhe é oferecida a presidência o Governo Provisório. Em 1937, Vargas fecha o Congresso e os seus atos, em seguida, alguns anos mais tarde, 1943, edita a consolidação das leis do trabalho.
Como conseqüência da situação mundial, Getulio investe na Indústria e aproveita clima criado pela Segunda Guerra Mundial, trabalha em programas de substituição de importações e parte para exploração de nossas riquezas. Investe em Petróleo e na Siderurgia, criando a CSN, tão cara aos moradores e trabalhadores de Siderópolis, Volta Redonda e o Brasil, claro. Como resultado das negociações de guerra, obtém recursos dos Estados Unidos para construção da Companhia Siderúrgica em Volta Redonda. Inicia as negociações para a construção da Vale do Rio Doce e a usina hidroelétrica de Paulo Afonso e cria, em 1942 o Conselho Nacional do Petróleo.
A distribuição dos produtos finais ficariam por conta das companhias privadas e, entre elas, em sua maioria, de empresas americanas. Nesse contexto, com uma forte oposição, acelerada com o assassinato do Major Vaz, sob o comando de um dos seus auxiliares, ato esse materializado por Gregório Fortunato. Pois naquele dia, tudo isso encerrava muita coisa foi precipitada a partir desse evento. Mas vida tinha que continuar.
Apesar de ditador, Vargas é lembrado como um grande Estadista. Teve muito inimigos políticos mas deixou fortes marcas no Brasil.
Hamilton Savi

Extraido de " O Mundo que eu vi" , de Hamilton Savi, em elaboração.

2 Comments:

Blogger JAJAH said...

Gosto de ler sobre Getulio e " Jango " , gostei muito do que escreveu ...

outubro 18, 2009  
Blogger gottschalk said...

E a história dá voltas, meu caro Watson. Quem não viu Getúlio, logo, verá o Genérico dando pinta de industrial ao país mais brejeiro que já se fez por essas bandas. E como Getúlio, vamo-nos todos derrubá-lo para depois cultuosamente agradece-lo pelas graças recebidas.

janeiro 18, 2011  

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