Jucelino Kubcheck
Hamilton Página 1 6/11/2009
Alfa 12 Juscelino
O OTIMISTA
JUSCELINO KUBSCHECK
Juscelino Kubscheck foi eleito presidente do Brasil para o período de 1956 a 1961. Nessa época, ainda como estudante acompanhava, em Porto Alegre, os debates com meus colegas de pensão e de aula, sobre o presidente sorridente e que representava uma nova promessa para o Brasil. Eu ouvia, em casa, comentários de meu pai, que era leitor da revista “O Cruzeiro” e que apresentava uma serie de reportagens sobre o nascimento político do mineiro de Diamantina. Recentemente, a Rede Globo apresentou em formato de uma Mini-Serie onde mostrou a carreira do político e, mesmo que fantasiando algumas passagens de sua vida pessoal, foi interessante.
Apesar do esforço do Governo Vargas, Juscelino Kubscheck recebeu um país exportador de café, açúcar, algodão, couro e cacau, principalmente. Vargas havia investido em industrialização e criara a Companhia Siderúrgica Nacional e a PETROBRAS. Com elas, tinha a intenção de buscar a autonomia do país, mas as críticas ao seu governo, a posição de seus adversários políticos levou presidente ao suicídio em 24 de agosto de 1954.
Juscelino Kubscheck foi eleito em 1955 com legenda do PSD e PTB que elegeu também como vice o político João Goulart. Os integrantes da UDN, tradicionais anti-Getulistas, tentaram, através de manobras, impedirem a posse de JK. Sua posse, segundo meu pai, foi devida também a honestidade de Lott (Henrique Texeira Lott), então Ministro da Guerra numa data que ficou conhecida como novembrada (11 de novembro de 1955). Mas quem entregou o governo, quem passou a faixa ao presidente eleito foi o catarinense Nereu Ramos que, com o impedimento de Café Filho, que dirigiu o país, como presidente do Senado, no período de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956.
Juscelino Kubscheck foi marcado por sua obstinação em construir Brasília, com a intenção de realizar 50 anos em cinco, de acordo com o Plano de Metas de seu governo! O Plano de Metas de JK visava tirar o país do estado de pobreza que se encontrava: PIB de 7 bilhões de Dólares, renda per capitã de 130 Dólares e assim por diante. Contemplava 30 metas, entre elas, energia, transporte, alimentação, indústria, educação e a meta de número 31 que era a construção de Brasília.
O período JK foi o inicio do desenvolvimento e também endividamento do Brasil pela megalomania –como dizem muitos- do faraó brasileiro. Todavia, é visto como um dos maiores presidentes que o país teve. Irradiava otimismo, esperança e alegria de viver!
Assim que cheguei a Porto Alegre, tendo transferido meu titulo de eleitor para a capital gaúcha, votei nele. Política, nessa época, apesar de ser bastante familiar, não estava no rol das minhas preocupações. Tinha que vencer etapas de meus planos de estudos formais e ganhar tempo. E isso eu estava fazendo.
Mas era impossível ficar alheio a uma época tão marcante. Falando com o pároco de Gravataí, onde meu irmão Hadilson estava morando em troca de financiamento de seus estudos, ele me falava que o Brasil tinha optado por um sistema de transporte de rico. Era inadmissível, para ele, que um país cortado por rios navegáveis, com uma costa de mais de 8.000 quilômetros, com uma extensão territorial dessa grandeza, optar por dar preferência ao transporte rodoviário. O Padre dizia que isso era um absurdo. Eu ouvia os comentários dele quando ia visitar meu irmão em Gravataí, há poucos quilômetros de Porto Alegre e ficava pensando sobre sua visão que à época eu apenas concordava. Nunca me saiu da cabeça até que, mais tarde, já como estudante de engenharia, avaliava melhor a sua visão e a considerei, em parte, correta. Entendi, também, que a questão do transporte ferroviário não era uma questão tão simples assim, mas que algum esforço tinha que ser feito.
Lembro com nitidez cristalina, ainda na praça XV, ponto de encontro dos bondes que serviam à cidade de Porto Alegre, onde fazíamos as baldeações ou usávamos para chegar até o centro da cidade, o aparecimento do primeiro veículo nacional: a Romiseta (Romi-Isetta). A Romiseta, como ficou conhecida era um veículo com motor de lambreta, com quatro rodas: duas com mais próximas no eixo traseiro e duas mais afastadas na dianteira. O veículo tinha espaço para duas pessoas e uma porta frontal.
O projeto era um projeto italiano, que desenvolvia uma velocidade máxima de 70 quilômetros horários e fazia 25 quilômetros com um litro de gasolina. O mais importante do veículo Romiseta foi e de ter dado inicio a indústria automobilística do Brasil. Lançado em São Paulo, em 1956, recebeu apoio do Governo de Juscelino Kubscheck, mas foi exatamente um de seus decretos, o decreto que cria o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) que ao definir os parâmetros dos automóveis no Brasil, de inspiração estrangeira, acabou desestimulando a sua fabricação em nosso país tornando-a pouco competitiva. Em seguida começaram a aparecer os veículos da DKV (Auto Union) e da VW. Foi uma pena porque esse veículo econômico continuou sendo fabricado em diversos países europeus e, recentemente, ainda o vi rodando na Índia. Houve ai uma contradição muito grande. Juscelino Kubscheck entrou triunfalmente em Brasília, em uma Romi-Isetta como símbolo da industrialização do Brasil, depois de ter saído do Rio de Janeiro, rodado cerca de 7.000 quilômetros, de ter sido recebida simbolicamente por Leonel Brizola como prefeito de Porto Alegre mas...acabou sendo derrotada pelo capital estrangeiro que influenciou o conteúdo do decreto que criara o GEIA.
Com essa historia de 50 anos em 5, apareceram os primeiros sinais da inflação. Comentávamos com nossos colegas na Universidade, na pensão, o aparecimento, como cogumelos, os prédios no centro de Porto Alegre. A opinião generalizada era de que como o dinheiro volatilizava rapidamente, um dos grandes negócios para manter o seu valor investindo em imóveis e, com isso, cresciam os prédios no centro da capital. Daí da Praça XV, ponto de passagem obrigatória, contavam-se os prédios que iam mudando a paisagem. O país e, as cidades, estavam mudando.
A construção de Brasília era outro motivo constante –tanto como futebol- motivo de discussões: havia os prós e os contra. Jânio Quadros, no final do mandato de Juscelino Kubscheck batia forte na corrupção que diziam existir no modelo de roubo que hoje chamamos de superfaturamento.
Jânio Quadros acabou vencendo as eleições, usando como símbolo uma vassourinha para varrer a sujeira e corrupção. Ainda tenho guardado uma ampola, tipo ampola de injeção, com uma vassourinha metálica dourada como símbolo limpeza que ele queria fazer. Com tudo isso, Brasília foi construída, Jânio Quadro venceu, mas renunciou. Sua atitude levou o país a uma de suas maiores crises com a tomada do poder pelos militares para evitar que caísse nas mãos dos comunistas que era o modelo visto como salvador do mundo. Naquele momento, pelo exemplo da URSS e da China de Mão Tse Tung e de Cuba –mais tarde- com apoio da URSS.
Na viagem de estudos do nosso grupo de engenheiros eletricistas de 1965, depois da visita à usina de Três Marias, em Minas Gerais, nos decidimos passar um dia em Brasília para conhecer a nova e tão falada capital. Ela havia sido inaugurada há poucos anos e nós saímos de lá impressionados pela grandiosidade e os espaços vazios.
O período JK foi marcado por muitas críticas. Pode ter dado inicio a um processo de endividamento, mas foi um governo ousado, otimista e que estava sempre na mídia. Os seus feitos inspiravam o cantor e humorista Juca Chaves a fazer fortes críticas ligadas ao hábito de voar, voar....
Hamilton Savi
(Da serie Mundo que eu Vi)
Alfa 12 Juscelino
O OTIMISTA
JUSCELINO KUBSCHECK
Juscelino Kubscheck foi eleito presidente do Brasil para o período de 1956 a 1961. Nessa época, ainda como estudante acompanhava, em Porto Alegre, os debates com meus colegas de pensão e de aula, sobre o presidente sorridente e que representava uma nova promessa para o Brasil. Eu ouvia, em casa, comentários de meu pai, que era leitor da revista “O Cruzeiro” e que apresentava uma serie de reportagens sobre o nascimento político do mineiro de Diamantina. Recentemente, a Rede Globo apresentou em formato de uma Mini-Serie onde mostrou a carreira do político e, mesmo que fantasiando algumas passagens de sua vida pessoal, foi interessante.
Apesar do esforço do Governo Vargas, Juscelino Kubscheck recebeu um país exportador de café, açúcar, algodão, couro e cacau, principalmente. Vargas havia investido em industrialização e criara a Companhia Siderúrgica Nacional e a PETROBRAS. Com elas, tinha a intenção de buscar a autonomia do país, mas as críticas ao seu governo, a posição de seus adversários políticos levou presidente ao suicídio em 24 de agosto de 1954.
Juscelino Kubscheck foi eleito em 1955 com legenda do PSD e PTB que elegeu também como vice o político João Goulart. Os integrantes da UDN, tradicionais anti-Getulistas, tentaram, através de manobras, impedirem a posse de JK. Sua posse, segundo meu pai, foi devida também a honestidade de Lott (Henrique Texeira Lott), então Ministro da Guerra numa data que ficou conhecida como novembrada (11 de novembro de 1955). Mas quem entregou o governo, quem passou a faixa ao presidente eleito foi o catarinense Nereu Ramos que, com o impedimento de Café Filho, que dirigiu o país, como presidente do Senado, no período de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956.
Juscelino Kubscheck foi marcado por sua obstinação em construir Brasília, com a intenção de realizar 50 anos em cinco, de acordo com o Plano de Metas de seu governo! O Plano de Metas de JK visava tirar o país do estado de pobreza que se encontrava: PIB de 7 bilhões de Dólares, renda per capitã de 130 Dólares e assim por diante. Contemplava 30 metas, entre elas, energia, transporte, alimentação, indústria, educação e a meta de número 31 que era a construção de Brasília.
O período JK foi o inicio do desenvolvimento e também endividamento do Brasil pela megalomania –como dizem muitos- do faraó brasileiro. Todavia, é visto como um dos maiores presidentes que o país teve. Irradiava otimismo, esperança e alegria de viver!
Assim que cheguei a Porto Alegre, tendo transferido meu titulo de eleitor para a capital gaúcha, votei nele. Política, nessa época, apesar de ser bastante familiar, não estava no rol das minhas preocupações. Tinha que vencer etapas de meus planos de estudos formais e ganhar tempo. E isso eu estava fazendo.
Mas era impossível ficar alheio a uma época tão marcante. Falando com o pároco de Gravataí, onde meu irmão Hadilson estava morando em troca de financiamento de seus estudos, ele me falava que o Brasil tinha optado por um sistema de transporte de rico. Era inadmissível, para ele, que um país cortado por rios navegáveis, com uma costa de mais de 8.000 quilômetros, com uma extensão territorial dessa grandeza, optar por dar preferência ao transporte rodoviário. O Padre dizia que isso era um absurdo. Eu ouvia os comentários dele quando ia visitar meu irmão em Gravataí, há poucos quilômetros de Porto Alegre e ficava pensando sobre sua visão que à época eu apenas concordava. Nunca me saiu da cabeça até que, mais tarde, já como estudante de engenharia, avaliava melhor a sua visão e a considerei, em parte, correta. Entendi, também, que a questão do transporte ferroviário não era uma questão tão simples assim, mas que algum esforço tinha que ser feito.
Lembro com nitidez cristalina, ainda na praça XV, ponto de encontro dos bondes que serviam à cidade de Porto Alegre, onde fazíamos as baldeações ou usávamos para chegar até o centro da cidade, o aparecimento do primeiro veículo nacional: a Romiseta (Romi-Isetta). A Romiseta, como ficou conhecida era um veículo com motor de lambreta, com quatro rodas: duas com mais próximas no eixo traseiro e duas mais afastadas na dianteira. O veículo tinha espaço para duas pessoas e uma porta frontal.
O projeto era um projeto italiano, que desenvolvia uma velocidade máxima de 70 quilômetros horários e fazia 25 quilômetros com um litro de gasolina. O mais importante do veículo Romiseta foi e de ter dado inicio a indústria automobilística do Brasil. Lançado em São Paulo, em 1956, recebeu apoio do Governo de Juscelino Kubscheck, mas foi exatamente um de seus decretos, o decreto que cria o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) que ao definir os parâmetros dos automóveis no Brasil, de inspiração estrangeira, acabou desestimulando a sua fabricação em nosso país tornando-a pouco competitiva. Em seguida começaram a aparecer os veículos da DKV (Auto Union) e da VW. Foi uma pena porque esse veículo econômico continuou sendo fabricado em diversos países europeus e, recentemente, ainda o vi rodando na Índia. Houve ai uma contradição muito grande. Juscelino Kubscheck entrou triunfalmente em Brasília, em uma Romi-Isetta como símbolo da industrialização do Brasil, depois de ter saído do Rio de Janeiro, rodado cerca de 7.000 quilômetros, de ter sido recebida simbolicamente por Leonel Brizola como prefeito de Porto Alegre mas...acabou sendo derrotada pelo capital estrangeiro que influenciou o conteúdo do decreto que criara o GEIA.
Com essa historia de 50 anos em 5, apareceram os primeiros sinais da inflação. Comentávamos com nossos colegas na Universidade, na pensão, o aparecimento, como cogumelos, os prédios no centro de Porto Alegre. A opinião generalizada era de que como o dinheiro volatilizava rapidamente, um dos grandes negócios para manter o seu valor investindo em imóveis e, com isso, cresciam os prédios no centro da capital. Daí da Praça XV, ponto de passagem obrigatória, contavam-se os prédios que iam mudando a paisagem. O país e, as cidades, estavam mudando.
A construção de Brasília era outro motivo constante –tanto como futebol- motivo de discussões: havia os prós e os contra. Jânio Quadros, no final do mandato de Juscelino Kubscheck batia forte na corrupção que diziam existir no modelo de roubo que hoje chamamos de superfaturamento.
Jânio Quadros acabou vencendo as eleições, usando como símbolo uma vassourinha para varrer a sujeira e corrupção. Ainda tenho guardado uma ampola, tipo ampola de injeção, com uma vassourinha metálica dourada como símbolo limpeza que ele queria fazer. Com tudo isso, Brasília foi construída, Jânio Quadro venceu, mas renunciou. Sua atitude levou o país a uma de suas maiores crises com a tomada do poder pelos militares para evitar que caísse nas mãos dos comunistas que era o modelo visto como salvador do mundo. Naquele momento, pelo exemplo da URSS e da China de Mão Tse Tung e de Cuba –mais tarde- com apoio da URSS.
Na viagem de estudos do nosso grupo de engenheiros eletricistas de 1965, depois da visita à usina de Três Marias, em Minas Gerais, nos decidimos passar um dia em Brasília para conhecer a nova e tão falada capital. Ela havia sido inaugurada há poucos anos e nós saímos de lá impressionados pela grandiosidade e os espaços vazios.
O período JK foi marcado por muitas críticas. Pode ter dado inicio a um processo de endividamento, mas foi um governo ousado, otimista e que estava sempre na mídia. Os seus feitos inspiravam o cantor e humorista Juca Chaves a fazer fortes críticas ligadas ao hábito de voar, voar....
Hamilton Savi
(Da serie Mundo que eu Vi)

