Londres -South Kinsington
Era um dia manhoso de um sábado. Olhando da janela do meu apartamento, no YMCA, para o poente, parecia que ia chover, mas não choveu e deu um dia muito bonito. Os ingleses gostam de falar sobre o tempo e não é sem razão: ele muda com muita rapidez.
Resolvi dedicar o dia ao bairro de South Kinsigton. Comecei por mais uma visita ao Museu de História Natural. Esse museu como muitos outros em Londres, pode ser visitado com freqüência porque sempre há alguma coisa nova para ver, ou, pelo menos um novo arranjo. Fiquei quase o tempo todo que permaneci lá, na área do museu da terra. É difícil descrer. Eu estava em frente a uma enorme escada que dava acesso ao segundo piso onde a escada terminava numa enorme bola azul, simbolizando a Terra. Bem, quando entrei nesse mundo, a impressão que tive foi a de fazer uma viagem ao centro da terra: vulcões, cortes, geração de maremotos, penhascos levando o observador a percorrer, através de fotografias, filmes e efeitos de sons e imagens, virtualmente através de uma visão das energias da superfície e do centro da terra.
No seu interior misturavam-se vozes de narradores com reprodução de sons de marés, de vulcões como se estivéssemos ouvindo a pulsação do Planeta Terra.
Depois de algum tempo, lentamente, começo a deixar o museu. O movimento de pessoas era constante e pessoas de todas as idades e de todas as nacionalidades coloriam as várias sessões do museu. Grupos de pessoas olhando, extasiados, na sessão dos dinossauros ou em umma simulação da selva amazônica num museu em Londres e assim por diante.
Volto à realidade, deixo o museu e começo a caminhar na região. Gosto do astral daquele bairro. Quando passei pela igreja da Imaculado Coração de Maria estava sendo celebrado um casamento. Parei, olhei, entrei e participei da cerimônia. A medir pelos dois Rolls Royce que estavam à serviço para transporte dos noivos, induzia a pensar que se tratava de algum caixa alta casando. De fato, haviam muitas pessoas bem vestidas e um casamento realizado com muita pompa. Fiquei algum tempo, aos fundos da igreja, ouvindo o coral que libertava o pensamento para sonhar um pouco, cruzando os mares, com muita facilidade e libertando-se do tempo. Lembrei-me do gaúcho Lupicinio Rodrigues, quando dizia que “o pensamento parece uma coisa atôa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar...”
Saí sem cumprimentar o jovem casal, mas mentalmente, desejei uma vida longa e feliz, com filhos e uma velhice rodeada de parentes e amigos!
Sai para caminhar sem preocupação de tempo. Procurava um lugar para almoçar e, nesse caso, optei por restaurante onde podia ficar sentado, sem pressa, para poder recuperar as energias. Passo pela Harrod’s. Não resisto a uma entrada e me detenho, depois de percorrer os riquíssimos corredores, na sessão de vinhos. Nem vou citar marcas que anotei, mas vi preços que chegavam a 700 Pounds e mais. Claro, não é uma casa especializada em vinhos e penso existem até vinhos muito mais caros, claro, mas em casas especializadas. Esses estavam protegidos por um armário com portas de vidro sob chave. Os vinhos menos especiais estavam lá, livres para quem quisesse tocar.
Depois do almoço, que naquele dia foi bem tarde, continuei caminhando livremente. A arquitetura daquela região é harmoniosa: prédios bonitos, alguns deles de tijolos à vista, região limpa, muitas flores nas ruas mais movimentadas e um pouco da história recente de Londres.
Museu de História Natural, Victoria and Albert Museum, Imperial College, Royal Albert Hall, Royal Geographic Society... sem contar a beleza da combinação de folhagens às entradas dos prédios, parques, pequenos negócios, fachadas ornamentadas com flores, “pubs” jardins, pequenos recantos que não constam nos guias turísticos. É gostoso andar por lá sem ter que gastar fortunas porque os ingleses não cobram nada para olhar embora não seja muito barato fazer compras.
Quando tomei o ônibus para retornar ao meu cantinho no YMCA, falei com um português que trabalhava num restaurante e que educava seus filhos em Londres. Ele disse que em relação a Portugal, as chances de emprego em Londres são maiores do que na sua terra natal. Ele disse também que não poderia dar, aos seus filhos, em Portugal, a educação e formação que está dando em Londres. Portugal, para ele, só a passeio!
Extraido de Cadernos de Viagem- Londres e Arredores
Hamilton Savi
Resolvi dedicar o dia ao bairro de South Kinsigton. Comecei por mais uma visita ao Museu de História Natural. Esse museu como muitos outros em Londres, pode ser visitado com freqüência porque sempre há alguma coisa nova para ver, ou, pelo menos um novo arranjo. Fiquei quase o tempo todo que permaneci lá, na área do museu da terra. É difícil descrer. Eu estava em frente a uma enorme escada que dava acesso ao segundo piso onde a escada terminava numa enorme bola azul, simbolizando a Terra. Bem, quando entrei nesse mundo, a impressão que tive foi a de fazer uma viagem ao centro da terra: vulcões, cortes, geração de maremotos, penhascos levando o observador a percorrer, através de fotografias, filmes e efeitos de sons e imagens, virtualmente através de uma visão das energias da superfície e do centro da terra.
No seu interior misturavam-se vozes de narradores com reprodução de sons de marés, de vulcões como se estivéssemos ouvindo a pulsação do Planeta Terra.
Depois de algum tempo, lentamente, começo a deixar o museu. O movimento de pessoas era constante e pessoas de todas as idades e de todas as nacionalidades coloriam as várias sessões do museu. Grupos de pessoas olhando, extasiados, na sessão dos dinossauros ou em umma simulação da selva amazônica num museu em Londres e assim por diante.
Volto à realidade, deixo o museu e começo a caminhar na região. Gosto do astral daquele bairro. Quando passei pela igreja da Imaculado Coração de Maria estava sendo celebrado um casamento. Parei, olhei, entrei e participei da cerimônia. A medir pelos dois Rolls Royce que estavam à serviço para transporte dos noivos, induzia a pensar que se tratava de algum caixa alta casando. De fato, haviam muitas pessoas bem vestidas e um casamento realizado com muita pompa. Fiquei algum tempo, aos fundos da igreja, ouvindo o coral que libertava o pensamento para sonhar um pouco, cruzando os mares, com muita facilidade e libertando-se do tempo. Lembrei-me do gaúcho Lupicinio Rodrigues, quando dizia que “o pensamento parece uma coisa atôa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar...”
Saí sem cumprimentar o jovem casal, mas mentalmente, desejei uma vida longa e feliz, com filhos e uma velhice rodeada de parentes e amigos!
Sai para caminhar sem preocupação de tempo. Procurava um lugar para almoçar e, nesse caso, optei por restaurante onde podia ficar sentado, sem pressa, para poder recuperar as energias. Passo pela Harrod’s. Não resisto a uma entrada e me detenho, depois de percorrer os riquíssimos corredores, na sessão de vinhos. Nem vou citar marcas que anotei, mas vi preços que chegavam a 700 Pounds e mais. Claro, não é uma casa especializada em vinhos e penso existem até vinhos muito mais caros, claro, mas em casas especializadas. Esses estavam protegidos por um armário com portas de vidro sob chave. Os vinhos menos especiais estavam lá, livres para quem quisesse tocar.
Depois do almoço, que naquele dia foi bem tarde, continuei caminhando livremente. A arquitetura daquela região é harmoniosa: prédios bonitos, alguns deles de tijolos à vista, região limpa, muitas flores nas ruas mais movimentadas e um pouco da história recente de Londres.
Museu de História Natural, Victoria and Albert Museum, Imperial College, Royal Albert Hall, Royal Geographic Society... sem contar a beleza da combinação de folhagens às entradas dos prédios, parques, pequenos negócios, fachadas ornamentadas com flores, “pubs” jardins, pequenos recantos que não constam nos guias turísticos. É gostoso andar por lá sem ter que gastar fortunas porque os ingleses não cobram nada para olhar embora não seja muito barato fazer compras.
Quando tomei o ônibus para retornar ao meu cantinho no YMCA, falei com um português que trabalhava num restaurante e que educava seus filhos em Londres. Ele disse que em relação a Portugal, as chances de emprego em Londres são maiores do que na sua terra natal. Ele disse também que não poderia dar, aos seus filhos, em Portugal, a educação e formação que está dando em Londres. Portugal, para ele, só a passeio!
Extraido de Cadernos de Viagem- Londres e Arredores
Hamilton Savi

