D´Ávila
Conheci D'Ávila num restaurante de comida natural, desses a que a gente vai para purificar um pouco o estômago e o corpo para desintoxicar para viver um pouco mais. Lá estava ele: um tipo baixinho, meio gordinho, saudável, aparentemente alheio ao mundo. Falei com ele. Conversamos muito, ficamos amigos à primeira vista. Contou-me seus planos. Queria mudar o mundo com as mãos. Queria sobreviver com o poder das mãos. Queria libertar-se com o uso das mãos. Queria libertar o gênio, o poder que estava retido nas mão da humanidade: o artesanato. Para ele, estava se hibernando, tinha que ser acordado, desenvolvido. Não aquele artesanato de cinto de couro ou bolsinha que existe em qualquer parte. Não, ele queria o artesanato que ajudasse o homem a viver melhor, com mais conforto, com mais criatividade.
D'Avila atropelava-se com a torrente de suas próprias idéias. Era preciso colocar-lhe sapatos de chumbo para ele só sair ao ar depois de muita seleção de energia. Cavava seu próprio espaço para difundir suas idéias em qualquer parte do Brasil. O Grupo "a" daqui, o "b" dali, o "k" de lá e, finalmente, Brasília pedia sua ajuda.
Não havia mais espaço para ele junto ao Governo do Estado a que estava vinculado. Zuleika -diretora do Departamento de Assuntos Culturais- fez um grande esforço para trazê-lo ao nosso convívio universitário. Conseguimos, sob forma de empréstimo, transferí-lo. Em seguida, um decreto do novo governador, exigindo a o recolhimento de todos os funcionários os seus lugares, obrigaria a D' Ávila a desconetar as asas e grudá-las em um cabide do tempo e voltar à sua prisão, numa gaiola que nem sequer era dourada. Todo fim de ano essa angústia o atormentava pois havia a necessidade de movimentar toda a estrutura burocrática para que com ele pudesse conviver mais de perto com o trabalho que ele tanto amava.
Assim, com esse turbilhão de idéias, com esse caminhão de angústias a cada final de ano e agora, também com muito serviço pela frente, com a Nova República, viaja muito nervoso, para o Rio de Janeiro. Lá iria recuperar suas energias, rever seus familiares e voltar para continuar a batalha mas... Não voltou.
Ontem, no final da tarde, ligando o carro para ir para a casa, no último dia útil do ano, quando todos já tinham se despedido, quando muitas pessoas superticiosas -com trajes brancos e amarelo- já não estavam mais lá, chega um telegrama de Brasília. O telegrama comunicava a aprovação de seu tão esperado projeto. Outro -de um alto funcionário- elogiava seu trabalho. Quando já quase não havia ninguém na universidade, quando ninguém mais fazia nada com as mão, Ivo -o chefe do cerimonial- pergunta-me se eu conhecia D'Ávila. Claro que conheço - respondi. Ele acaba de falecer no Rio de Janeiro. Ponto.
D'Ávila nunca falava de seus problemas particulares. Ele sempre preferiu escudar-se no trabalho, falando das coisas em que ele acreditava. Pouco das coisas que fez, muito do que ainda tinha para ser feito. Não me parecia uma pessoa feliz por dentro. Parecia-me uma pessoa nervosa que ficava um pouco mais calma diante de um trabalho com as mão.
Não sei ainda como ele viajou para o outro mundo. Sei apenas que ele acreditava em outro...
É, um instante pode ser uma eternidade. O que é o tempo para nós? Cem anos? Dois mil anos? Quatro mil anos? Dez milhões de anos? No tempo cósmico nosso tempo pode ser uma estrela cadente. No tempo do homem poderemos viver o tempo de uma estrela. Nosso tempo de cada um vivemos o que temos que viver, vivemos o tempo que for o nosso tempo sem que ninguém nos avise quando é que vai terminar ou se já estamos vivendo com um pouco de tempo emprestado.
Às vezes me sinto como se estivesse caminhando dentro de um túnel de vidro, com liberdade de fazer coisas, de ver o que está acontecendo do outro lado, com imagem destorcida, dependendo da posição da lente nos olhos e naquela formada pelo próprio túnel. Se caminharmos para trás veremos o já visto ou realizado. Se caminharmos para frente temos a certeza de que em um determinado momento o túnel acaba e... se cai num abismo.
Os nossos paraquedas construídos com as imagens da ou das religiões, das nossas crenças, poder atenuar o impacto ou nos colocar na mão uma lanterna ou talvez até nos colocar naquilo que sobrou algum código para nos comunicar com os nossos amigos que já se foram, se ainda estiverem por lá, ou com novos amigos. Poderemos ter que viver no inferno de nossas consciências ou no Céu que nos preparamos aqui mesmo, aprendendo a viver em paz com a consciência.
D’Ávila vivia. Só não quis Deus que na hora de viajar, na sua última viagem, no seu bota-fora, estivesse com seus parentes, que com toda a crítica que se possa fazer, são eles que devolvem para a terra a parte material que não pode viajar com a alma. Descanse em paz. Aqui você fez o que pôde. Esperneou, sofreu e amou. Os que ficaram aqueles que estavam mais próximos de ti, tiveram um choque de Ano Novo. É sempre bom para começar algo de novo. Paz na tua nova morada!
Hamilton Savi
30.12.85
Florianópolis, 10 de janeiro de l986.
(manhã cedo)
Amigo Hamilton,
Gostei muito da tua oração fúnebre para o D'Ávila, em particular a tua colocação da mão ancestral do D'Ávila. Teria aparecida uma página a mais sobre a mão. Pois D'Ávila viajou pelo mundo, falava línguas, vira e ouvira muita gente, apreciava como poucos a obra das mão da humanidade.
Hoje a mão desprezada como o foi sempre desde a era de Tubalkaim -o pai ancestral dos ferreiros-. A mão do caçador fora mais potente do que a do agricultor Caim e mais do que a do Tubalkaim e a do Vulcano e Prometeu, Osiris e Imnoter, que Fazoath e Alejadinho. Foi a terrível passagem do paleolítico ao neolítico. O caçador dominou os animais pela azagaia e mais tarde pela flecha, foi a dos nossos índios também. Veio depois os D'Ávila, os fabricantes de artefatos, os artesãs, não. Mão da terra agrícola, mãos do pescador, mãos os dos senhores-escravos da poda das pontes e das catedrais. Mãos dos artesões do bambu e do cipó, mãos do tecido, mãos da terra e do remo, charrua.
O trabalho foi sempre possível, por isso desprezado pois os que não trabalhavam tinham o poder dos que trabalhavam. Isto é ainda assim. Fico estarrecido pelo que D'Ávila e Cascaes mostraram, da pena enorme do poema imenso da mãos nos engenhos de farinha da Ilha de Santa Catarina. Pena enorme é da rendeiras. E o salário do engenho e da renda é a pobreza. O sofrimento, a bucólica e sinistra imagem que busca o turista que vem de longe ver a obra símbolo dos seus ancestrais. Sempre foram escravos os nossos artesões, durante 10 a 12 mil anos que durasse a era do neolítico é era mecânica. É a mão que corta e divide a sociedade, o poder das mãos que lavram a terra, a pedra, o tecido, o fogo e as que lavram papel e a fita, o sulco do disco do computador.
E a mão é também, o pé, o que garante sempre a verticalidade, o pé que libertou a mão, o pé que é então e mãe das mãos.
Quanto a sua oração sobre a morte, o tempo e a passagem para o outro mundo, a morte súbita do D'Ávila, é outro assunto. É o encontro pessoal da vida consciente com a morte, o fim do espaço. É outra dimensão do que falava o D'Ávila.
Eu mesmo o escutei em viagens até Brasília, no ônibus leito, em l983. Levava então seus projetos e tinha a sensação amargo-doce do homem do neolítico, do Tubalkain e do Vulcano. Fascinavam-me a colocação dele, na pura tradição dos companheiros construtores das catedrais. Mas a amargura, também, de ali estão lendo um texto sem trabalho do passado desligado da era tecnológica que estamos vivendo, a da eletrônica, além de estar já desligado da era elétrica e mesmo da do motor à explosão inteira. Ele não via Vulcano no teclado de um computador e no Kokpit do Araão.
Eu disse para ele no ônibus, lá em Belo Horizonte, de que a chance do artesanato era a da sua associação com a tecnologia contemporânea.
Caso não, era um pouco fechar as portas da sociedade aos condenados da terra que hoje são chamados bóia frias, os 90% dos brasileiros. A UFSC trabalha sobretudo para os 10% outros, dizia o D'Ávila não sem certa amarga razão.
Ele queria uma Universidade mesmo, porém a das mãos e dos pés também. Era de outra época, mas seu testemunho, embora soasse como o de uma balde furado, batia de cheio na nossa grande consciência de expulsos recentes da era da mecânica. O Mito do Paraíso perdido, é vivo como todos os mitos da Humanidade.
Ele queria de certo que levássemos conosco pelo menos os instrumentos do nosso paraíso perdido. E é um pouco o que também o Ghandi e o Maotse e tantos outros quiseram e fizeram. Nisto eu também concordo, sob pena de perder raízes e de subirmos pelos ares por falta do lastro de nossas obras -os que nos criaram e geraram-.
Amizades e parabéns
Arlindo Stefani
PS:
D'Ávila fazia parte da Uve/86 fascinado pelas oficinas dos carijós do Pântano Sul e pelos engenhos que nutriram Santa Catarina e seus hóspedes, forasteiros, viajantes e ladrões.
D'Avila atropelava-se com a torrente de suas próprias idéias. Era preciso colocar-lhe sapatos de chumbo para ele só sair ao ar depois de muita seleção de energia. Cavava seu próprio espaço para difundir suas idéias em qualquer parte do Brasil. O Grupo "a" daqui, o "b" dali, o "k" de lá e, finalmente, Brasília pedia sua ajuda.
Não havia mais espaço para ele junto ao Governo do Estado a que estava vinculado. Zuleika -diretora do Departamento de Assuntos Culturais- fez um grande esforço para trazê-lo ao nosso convívio universitário. Conseguimos, sob forma de empréstimo, transferí-lo. Em seguida, um decreto do novo governador, exigindo a o recolhimento de todos os funcionários os seus lugares, obrigaria a D' Ávila a desconetar as asas e grudá-las em um cabide do tempo e voltar à sua prisão, numa gaiola que nem sequer era dourada. Todo fim de ano essa angústia o atormentava pois havia a necessidade de movimentar toda a estrutura burocrática para que com ele pudesse conviver mais de perto com o trabalho que ele tanto amava.
Assim, com esse turbilhão de idéias, com esse caminhão de angústias a cada final de ano e agora, também com muito serviço pela frente, com a Nova República, viaja muito nervoso, para o Rio de Janeiro. Lá iria recuperar suas energias, rever seus familiares e voltar para continuar a batalha mas... Não voltou.
Ontem, no final da tarde, ligando o carro para ir para a casa, no último dia útil do ano, quando todos já tinham se despedido, quando muitas pessoas superticiosas -com trajes brancos e amarelo- já não estavam mais lá, chega um telegrama de Brasília. O telegrama comunicava a aprovação de seu tão esperado projeto. Outro -de um alto funcionário- elogiava seu trabalho. Quando já quase não havia ninguém na universidade, quando ninguém mais fazia nada com as mão, Ivo -o chefe do cerimonial- pergunta-me se eu conhecia D'Ávila. Claro que conheço - respondi. Ele acaba de falecer no Rio de Janeiro. Ponto.
D'Ávila nunca falava de seus problemas particulares. Ele sempre preferiu escudar-se no trabalho, falando das coisas em que ele acreditava. Pouco das coisas que fez, muito do que ainda tinha para ser feito. Não me parecia uma pessoa feliz por dentro. Parecia-me uma pessoa nervosa que ficava um pouco mais calma diante de um trabalho com as mão.
Não sei ainda como ele viajou para o outro mundo. Sei apenas que ele acreditava em outro...
É, um instante pode ser uma eternidade. O que é o tempo para nós? Cem anos? Dois mil anos? Quatro mil anos? Dez milhões de anos? No tempo cósmico nosso tempo pode ser uma estrela cadente. No tempo do homem poderemos viver o tempo de uma estrela. Nosso tempo de cada um vivemos o que temos que viver, vivemos o tempo que for o nosso tempo sem que ninguém nos avise quando é que vai terminar ou se já estamos vivendo com um pouco de tempo emprestado.
Às vezes me sinto como se estivesse caminhando dentro de um túnel de vidro, com liberdade de fazer coisas, de ver o que está acontecendo do outro lado, com imagem destorcida, dependendo da posição da lente nos olhos e naquela formada pelo próprio túnel. Se caminharmos para trás veremos o já visto ou realizado. Se caminharmos para frente temos a certeza de que em um determinado momento o túnel acaba e... se cai num abismo.
Os nossos paraquedas construídos com as imagens da ou das religiões, das nossas crenças, poder atenuar o impacto ou nos colocar na mão uma lanterna ou talvez até nos colocar naquilo que sobrou algum código para nos comunicar com os nossos amigos que já se foram, se ainda estiverem por lá, ou com novos amigos. Poderemos ter que viver no inferno de nossas consciências ou no Céu que nos preparamos aqui mesmo, aprendendo a viver em paz com a consciência.
D’Ávila vivia. Só não quis Deus que na hora de viajar, na sua última viagem, no seu bota-fora, estivesse com seus parentes, que com toda a crítica que se possa fazer, são eles que devolvem para a terra a parte material que não pode viajar com a alma. Descanse em paz. Aqui você fez o que pôde. Esperneou, sofreu e amou. Os que ficaram aqueles que estavam mais próximos de ti, tiveram um choque de Ano Novo. É sempre bom para começar algo de novo. Paz na tua nova morada!
Hamilton Savi
30.12.85
Florianópolis, 10 de janeiro de l986.
(manhã cedo)
Amigo Hamilton,
Gostei muito da tua oração fúnebre para o D'Ávila, em particular a tua colocação da mão ancestral do D'Ávila. Teria aparecida uma página a mais sobre a mão. Pois D'Ávila viajou pelo mundo, falava línguas, vira e ouvira muita gente, apreciava como poucos a obra das mão da humanidade.
Hoje a mão desprezada como o foi sempre desde a era de Tubalkaim -o pai ancestral dos ferreiros-. A mão do caçador fora mais potente do que a do agricultor Caim e mais do que a do Tubalkaim e a do Vulcano e Prometeu, Osiris e Imnoter, que Fazoath e Alejadinho. Foi a terrível passagem do paleolítico ao neolítico. O caçador dominou os animais pela azagaia e mais tarde pela flecha, foi a dos nossos índios também. Veio depois os D'Ávila, os fabricantes de artefatos, os artesãs, não. Mão da terra agrícola, mãos do pescador, mãos os dos senhores-escravos da poda das pontes e das catedrais. Mãos dos artesões do bambu e do cipó, mãos do tecido, mãos da terra e do remo, charrua.
O trabalho foi sempre possível, por isso desprezado pois os que não trabalhavam tinham o poder dos que trabalhavam. Isto é ainda assim. Fico estarrecido pelo que D'Ávila e Cascaes mostraram, da pena enorme do poema imenso da mãos nos engenhos de farinha da Ilha de Santa Catarina. Pena enorme é da rendeiras. E o salário do engenho e da renda é a pobreza. O sofrimento, a bucólica e sinistra imagem que busca o turista que vem de longe ver a obra símbolo dos seus ancestrais. Sempre foram escravos os nossos artesões, durante 10 a 12 mil anos que durasse a era do neolítico é era mecânica. É a mão que corta e divide a sociedade, o poder das mãos que lavram a terra, a pedra, o tecido, o fogo e as que lavram papel e a fita, o sulco do disco do computador.
E a mão é também, o pé, o que garante sempre a verticalidade, o pé que libertou a mão, o pé que é então e mãe das mãos.
Quanto a sua oração sobre a morte, o tempo e a passagem para o outro mundo, a morte súbita do D'Ávila, é outro assunto. É o encontro pessoal da vida consciente com a morte, o fim do espaço. É outra dimensão do que falava o D'Ávila.
Eu mesmo o escutei em viagens até Brasília, no ônibus leito, em l983. Levava então seus projetos e tinha a sensação amargo-doce do homem do neolítico, do Tubalkain e do Vulcano. Fascinavam-me a colocação dele, na pura tradição dos companheiros construtores das catedrais. Mas a amargura, também, de ali estão lendo um texto sem trabalho do passado desligado da era tecnológica que estamos vivendo, a da eletrônica, além de estar já desligado da era elétrica e mesmo da do motor à explosão inteira. Ele não via Vulcano no teclado de um computador e no Kokpit do Araão.
Eu disse para ele no ônibus, lá em Belo Horizonte, de que a chance do artesanato era a da sua associação com a tecnologia contemporânea.
Caso não, era um pouco fechar as portas da sociedade aos condenados da terra que hoje são chamados bóia frias, os 90% dos brasileiros. A UFSC trabalha sobretudo para os 10% outros, dizia o D'Ávila não sem certa amarga razão.
Ele queria uma Universidade mesmo, porém a das mãos e dos pés também. Era de outra época, mas seu testemunho, embora soasse como o de uma balde furado, batia de cheio na nossa grande consciência de expulsos recentes da era da mecânica. O Mito do Paraíso perdido, é vivo como todos os mitos da Humanidade.
Ele queria de certo que levássemos conosco pelo menos os instrumentos do nosso paraíso perdido. E é um pouco o que também o Ghandi e o Maotse e tantos outros quiseram e fizeram. Nisto eu também concordo, sob pena de perder raízes e de subirmos pelos ares por falta do lastro de nossas obras -os que nos criaram e geraram-.
Amizades e parabéns
Arlindo Stefani
PS:
D'Ávila fazia parte da Uve/86 fascinado pelas oficinas dos carijós do Pântano Sul e pelos engenhos que nutriram Santa Catarina e seus hóspedes, forasteiros, viajantes e ladrões.


1 Comments:
... lindo,triste, mas lindo!!
Me identifico com o D'Avila , qdo acredito que uma pessoa(pessoas) deveria ser das mais ricas ,através das mãos... um tesouro nato, agregado ao amor á vida e á liberdade ...parece loucura , mas acredito no tempo em q as pessoas buscarão o artesanato p se encontrarem , se auto conhecerem serem mais felizes, esta chegando ... sem desmerecer a tecnologia , mas ela substitui o ser humano por botões...
Veja , o q de mais lindo há neste texto é a Amizade q os une ... e transcende a morte !! MÁGICA do AMOR !
"ele queria uma universidade mesmo, das mãos e dos pés",claro isso em breve estará fluindo ...parece-me lógico!!
Meu querido Mestre Hamilton, compartilhamos a consciencia da força da Natureza Humana,e sabemos q ela e só ela tem o poder de transformar e transcender...
como os demais ...Amei teu escrito... Muito Obrigado!! Daqui meu abraço!!
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